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Cientistas de Harvard fazem célula adulta virar embrionária


Data: 25-08-2005

Cientistas da Universidade de Harvard anunciaram nesta segunda-feira que conseguiram transformar células adultas da pele em células embrionárias através de uma fusão.
Este feito abre a perspectiva de que um dia, talvez em dez anos, os cientistas possam produzir linhagens de células-tronco embrionárias sem necessitar de embriões.

No experimento, células-tronco de embriões foram fundidas com células adultas, que assim foram “reprogramadas em sua condição para embriões”, infomrou Kevin Eggan, um dos pesquisadores no Instituto de Células-Tronco, em Cambridge (EUA). “Se, no futuro, os experimentos mostrarem que estas células se mantêm reprogramadas (como embrionárias) mesmo depois de removido o DNA da célula embrionária original, teremos teoricamente a possibilidade de produzir linhagens de células-tronco embrionárias personalizadas para cada paciente, sem a necessidade de criar e destruir embriões humanos”, afirma a equipe no sumário do artigo que a revista Science publicará nesta semana.

Eggan disse que a meta é criar células-tronco portadoras dos genes de apenas um paciente. As células criadas nos experimentos têm muito DNA, tanto da célula adulta como da célula-tronco do embrião usado no processo. As células-tronco embrionárias, que podem ser cultivadas para constituir qualquer tecido do corpo, são consideradas um elemento promissor para futuros tratamentos de doenças degenerativas, substituindo células e tecidos danificados ou defeituosos. Obtê-las sem o uso de embriões humanos seria uma alternativa para vencer a resistência de grupos e governos que se opõem a esta prática.

De qualquer forma, o método dos cientistas de Harvard ainda não abre mão do uso de pelo menos uma célula retirada de um embrião. “Ainda haverá pessoas se opondo (a este novo métido) porque, num momento, as células foram derivadas de um embrião humano”, comentou Eggan. Mas a equipe espera que sucessivas pesquisas neste caminho demonstrem como uma célula adulta pode ser reprogramada sem a necessidade de fusão com uma embrionária.

“Isto é só um primeiro passo”, acrescentou Eggan em entrevista coletiva por telefone. “Devo enfatizar que (a nova técnica) não está pronta para uso habitual, e também não substitui as técnicas que já tivemos para a obtenção de células-tronco de embriões.” Os defensores das pesquisas argumentam que, só nos Estados Unidos, já existem cerca de 400 mil embriões humanos congelados que eventualmente serão destruídos, e que o resultado dos tratamentos para infertilidade produz excesso de embriões.

Fonte: Agência Estado

 
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